quinta-feira, 10 de abril de 2008

"A escola não educa, ela qualifica o aluno educado".



Pais, educadores e professores


Em minha modesta opinião, os verdadeiros educadores são os pais. Rejeito o título de educadora. Sou professora, talvez seja educadora dos meus próprios filhos, quando os tiver.
Segundo Içami Tiba, com vários livros lançados sobre o assunto como, por exemplo, "Quem Ama Educa" e vários outros, na verdade: "a escola não educa, ela qualifica o aluno educado".

Como educar um filho?

A "professora" Suzana Hereculano-Houzel (doutora em Neurociências pela Université Paris VI, mestra em Ciências pela Case Western Reserve University (Estados Unidos) e bióloga formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro dá algumas dicas de como educar não só um filho, mas, a você.

CUIDE BEM DE SUA SAÚDE FÍSICA

O cérebro precisa do corpo. Investir na saúde corporal proporciona grandes benefícios para a saúde desse órgão ao longo de toda a vida, sobretudo na velhice. Os problemas do corpo doem no cérebro – é preciso saber respeita-los e trata-los rapidamente. Tudo está bem quando o corpo e a mente vão bem.

IDENTIFIQUE E CULTIVE OS SEUS PRAZERES

Longe de ser um luxo, a sensação de prazer é a base do bem-estar. A antecipação de um mínimo de prazer o de satisfação com o dia que teremos pela frente é o que nos tira da cama pela manhã. É também o que chamamos motivação. Essa busca pelo bem-estar é o que nos move. Encontrar prazer na vida é um enorme passo em direção à saúde desse órgão. Procure identificar as suas fontes de prazer e cultive-as: relações de amizade, relacionamentos amorosos, trabalho, lazer e exercício físico e mental.

OUÇA SUA EMOÇÕES

O estado do corpo é a base das emoções: sentir uma emoção é detectar as mudanças efetuadas no corpo pelo cérebro. Hoje se aceita que as emoções são parte fundamental das boas decisões. Elas nos informam de imediato sobre o resultado de experiências semelhantes que vivemos no passado, antes mesmo que tenhamos tempo de pensar “racionalmente”; portanto, devem sempre ser levadas em consideração. Se “alguma coisa” lhe diz não, ouça: é o seu corpo mandando avisos ao cérebro.

SORRIA E BUSQUE A FELICIDADE

A felicidade é o estado em que fica o cérebro que vê tudo dando certo. Além de mudar o cérebro, ela afeta o corpo e o torna mais saudável. Se tudo está correndo bem e você está cheio de energia, ótimo. Em alguns casos, no entanto, a felicidade e a motivação são desmedidas, exageradas, e não refletem a realidade da vida. Isso é uma indicação de mania, condição que, à primeira vista, parece benção, mas que se transforma rapidamente em maldição.

SAIBA A DIFERENÇA ENTRE TRISTEZA E DEPRESSÃO

A tristeza é uma emoção importante e útil. Em algumas situações extremas, a tristeza profunda é a única resposta razoável de um cérebro saudável e não deve ser confundida com depressão. Ela é perfeitamente justificável e tem que ser respeitada. A depressão é a tristeza despropositada e precisa ser tratada como caso clínico.

TENHA UMA ATITUDE POSITIVA

Uma atitude positiva em relação a vida é fundamental. O otimismo favorece a ativação antecipada do sistema de recompensa, aumenta a satisfação com os feitos alcançados, amplia as chances de fazermos algo realmente dar certo, nos permite lidar melhor com situações negativas e até intensifica a resistência a doenças.

TIRE PROVEITO DO ESTRESSE AGUDO

É essencial que o cérebro e o corpo saibam identificar situações ameaçadoras e reagir de acordo – e “de acordo” é justamente a resposta ao estresse. Se o cérebro não fosse capaz de distinguir situações estressantes e reagir a elas, mal chegaríamos de pé ao fim do dia. Por isso, uma resposta adequada é vital. O estresse agudo tem efeitos benéficos sobre a memória e sobre a resposta imunológica. A reação imediata ao estresse é altamente desejável: se não for muito intensa, ela facilita a memória e aumenta a imunidade.

APRENDA A LIDAR COM A ANSIEDADE

Além de simplesmente reagir, o cérebro sabe antecipar possíveis situações estressantes. Algumas preocupações são saudáveis e geram um estado de estresse antecipado, chamado de ansiedade, que pode ser percebido como indesejável. Em doses saudáveis, no entanto, essa habilidade é uma benção, pois evita que o cérebro se coloque em situações problemáticas. Preocupar-se é importante – desde que nas horas certas.

FAÇA AS PÁZES COM OS REMÉDIOS

O bom funcionamento do cérebro depende de um equilíbrio químico muito delicado, mantido com todo o cuidado por esse próprio órgão. Às vezes, em decorrência de variações genéticas, estresse intenso ou doenças adquiridas, é necessário obter ajuda externa para encontrar e manter esse equilíbrio por meio de medicamentos que interferem na química cerebral. Algumas pessoas resistem a usar esses remédios, enquanto outras acreditam, equivocadamente, que os fitoterápicos são uma alternativa mais segura. Há, ainda, quem fique tentado a consumir medicamentos em busca de melhorias na memória e na capacidade de atenção normais – mas alterar sem necessidade o equilíbrio natural do cérebro não é uma boa idéia.

COMBATA O ESTRESSE CRÔNICO

O estresse vira vilão quando se torna crônico ou impossível de evitar: queremos nos livrar dele, mas não conseguimos. Uma resposta prolongada e exagerada ao estresse acaba por tornar ruim para o corpo e o cérebro tudo o que inicialmente era bom. A melhor maneira de não sofrer com o estresse crônico é impedir que ele aconteça. Se isso for inviável, será preciso aprender a lidar bem com ele.

EXERCITE-SE REGULARMENTE

Além de promover a saúde cardiovascular e, portanto, também a do cérebro, o exercício fisco intenso é um dos melhores estabilizadores de humor que a neurociência moderna conhece. A atividade aeróbica combate a depressão e a ansiedade, promove a produção de neurônios novos no hipocampo, melhora a memória e aumenta a liberação de substâncias neuroprotetoras, isto é, aquelas que mantêm os neurônios saudáveis. Pelos seus efeitos sobre o corpo e o cérebro, o exercício físico regular é o que existe de mais próximo de um elixir da juventude.

DURMA BEM E BASTANTE

O sono é fundamental para o bem-estar. Quando dormimos, o cérebro descansa, mesmo sem parar de funcionar, e reorganiza as memórias do dia. A falta de sono causa um estresse intenso a esse órgão, além de uma série de problemas, inclusive de memória. O sono é tão importante que é auto-regulado: quanto menos dormimos, mais precisamos dormir.

EDUQUE-SE E ASSUMA RESPONSABILIDADES

O cérebro tem uma capacidade incrível de aprender e dispõe de tudo o que precisa para isso: o gosto pelo desafio, o poder de usar a atenção para filtrar as informações irrelevantes e a capacidade de se lembrar do que foi importante. Desenvolver as suas habilidades mentais – ou seja, educar-se – é um excelente meio de tornar o seu cérebro ainda mais capaz de resolver problemas, ampliar as suas capacidades e prolongar o bem-estar e a vida. Além disso, a instrução é uma maneira de obter controle sobre a própria vida, assumir responsabilidades e progredir socialmente, o que contribui muito para o bem-estar.

CULTIVE OS SEUS RELACIONAMENTOS

Ocupar uma posição de subordinação numa escala hierárquica é uma fonte importante de estresse social, mas não é a única. Mamíferos sociais, como o homem, não foram feitos para ficar sozinhos, e o isolamento é um dos mais intensos fatores de estresse social. Saber que contamos com o apoio de amigos e familiares é fundamental. Além disso, o contato humano, na forma de abraços, beijos e carinhos, garantem ao cérebro que não estamos sós no mundo.

BUSQUE E OFEREÇA CARINHO

Talvez a maior descoberta da neurociência nos últimos tempos seja o impacto do carinho sobre o cérebro. Na infância, ele é a melhor indicação que o bebê tem de que conta com alguém que o aquece, protege e alimenta. Além disso, receber carinho nessa época ajuda o cérebro a formar uma resposta saudável ao estresse. Na vida adulta, o carinho é uma maneira poderosa de regular a ansiedade e respostas exageradas ao estresse de maneira geral. O mais importante, contudo, é que o carinho se autopropaga: cérebros que o recebem se tornam mais carinhosos. Conquistar o bem-estar e dar carinho aos nossos filhos é investir desde já no bem-estar dos nossos netos. "

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