quarta-feira, 14 de maio de 2008

Sociedade dos poetas mortos


Cinema é muito mais do que pipoca!

Sociedade dos poetas mortos!

Sinopse

Um carismático professor de literatura chega à um conservador colégio, onde revoluciona os métodos de ensino ao propor que seus alunos aprendam a pensar por si mesmos.
Em 1959 na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex-aluno (Robin Williams) se torna o novo professor de literatura, mas logo seus métodos de incentivar os alunos a pensarem por si mesmos cria um choque com a ortodoxa direção do colégio, principalmente quando ele fala aos seus alunos sobre a "Sociedade dos Poetas Mortos".Dirigido por Peter Weir (O Show de Truman) e com Robin Williams e Ethan Hawke no elenco. Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original.

Comentário
O professor John Keating entra na sala de aula assobiando, é o primeiro dia do ano letivo, passa pelos alunos e desperta olhares curiosos, encaminha-se para uma outra porta, de saída para o corredor, todos seus pupilos ainda estão de sobreaviso, curiosos e sem saber o que fazer. Keating olha para eles e faz um sinal, pedindo que os estudantes o acompanhem. Todos chegam a uma sala de troféus da escola, onde ao fundo podem ser vistas fotos de alunos, remontando ao início do século, fazendo-nos voltar ao começo das atividades da escola. Pede-se silêncio e, que a atenção de todos volte-se para os rostos de todos aqueles garotos que freqüentaram aquela tradicional instituição de ensino em outros tempos.
O que aconteceu com eles? Para onde foram? O que fizeram de suas vidas? Suas vidas valeram à pena? Perguntas como essas são lançadas aos alunos. Muito ainda sem saber o que estariam fazendo ali, afinal, não era para estarmos estudando literatura inglesa e norte-americana?
Desconforto e desconserto. O personagem do professor Keating, vivido pelo eclético e versátil (além de extremamente talentoso) Robin Williams, conseguiu o que queria. Deixou seus alunos em dúvida. Iniciou seu relacionamento com eles tentando demovê-los de sua passividade, provocando-os a uma reflexão sobre a vida. Afinal, será que estamos fazendo valer nossa existência? "Carpe Diem", ou seja, aproveitem suas vidas, passou a ser como uma regra de ouro a partir de então para alguns de seus alunos, afinal, vejam o exemplo daqueles que já estiveram por aqui (retratados nessas fotografias esmaecidas, amareladas) e pensem se vocês querem que o tempo passe e vocês venham a se tornar "comida de vermes" em seus caixões sem que nada do que tenham feito por aqui tenha repercutido (como, acreditem, muitos desses jovens das fotografias o fizeram, deixando passar a vida sem perceber a riqueza contida na mesma).
Para fazer com que suas existências tenham valor vocês devem viver com intensidade cada dia que lhes é dado, cada momento que lhes é concedido, cada experiência a qual tem acesso, diz com sabedoria inconteste o ilustre mestre Keating. Por isso, repete, "Carpe Diem".
O filme "Sociedade dos Poetas Mortos" mostra claramente o papel de aparelho ideológico que a escola assume.Naquela escola considerada o “padrão” da época, ordem, disciplina, eram usados no sentido de coibi a expressão e a valorização do pensamento livre. O diretor no início do filme deixa claro para os novos alunos que eles estão tendo uma oportunidade ímpar, pois estudar naquela instituição era privilégio de poucos. Segurando a vela o diretor diz aos alunos: “esta é a luz do saber”, como se até aquele momento eles nada soubessem.

O tipo de escola mostrada no filme era a de uma instituição tradicional, com metodologia tradicional arcaica, esfacela, com professores tradicionais, desatualizados, incompreensíveis, acomodados, enfim, tartarugas. Mas como toda regra tem uma exceção, chega à escola o professor Keating¸ que usando de criatividade determinação, competência, honestidade e valorização das experiências anteriores à escola, começa a instigar os alunos da escola para que percebam – ser sujeitos de sua aprendizagem e não apenas objeto.

A metodologia utilizada por Keating foi muito questionada pelos outros professores. Após Keating haver terminado a sua aula na pátio da escola, um dos professores o elogiou dizendo que a aula havia sido muito boa, no entanto, ele teria problemas mais a frente, uma vez que estava ensinando aos alunos coisas que poderia fazer com eles se revoltassem contra o próprio professor. Mas mostrando serenidade, humilde e sabendo de suas limitações, Keating responde que não deseja formar artistas, mas livres pensadores. A metodologia adotada pelo professor Keating desagradava profundamente à direção da escola que buscava uma forma para punir o professor inovador. O que chama muito a atenção é que mesmo existindo tantas formas de linguagem, tantos signos e código lingüísticos, é na arte que ele busca a sua inspiração para lecionar e refletir sobre o mundo. Os diversos poemas apresentados e as várias formas de interpretação que Keating os dava, fazia com que os textos tivessem vida o que facilitava o processo ensino-aprendizagem. Tal metodologia fazia das aulas dinâmica, participativa.
O filme é recheado de sensibilidade. Vemos claramente no filme a luta de Neil que deseja ser ator e foi tolhido pela família o que o faz tirar a própria vida, pois, até aquele momento, segundo o que deixará escrito: “não havia aprendido a viver”. Percebemos na atitude de Neil como os nossos alunos e nós mesmos nos sentimos quando somos privados de fazermos aquilo que realmente gostamos de fazer. Muitas vezes, diferente de Neil, não tomamos uma decisão trágica de forma imediata, mas, passamos a vida toda tentando compensar as nossas angústias e decepções. Vimos também no filme a importância da arte na vida das pessoas. Através dela Keating, consegui despertar a sensibilidade que repousava dentro de cada um. Fez – os perceber que não somos apenas razão, mas também sentimentos e que a vida precisa ser vivida intensamente, aproveitando um dia de cada vez (Carpem Diem). Através da arte, Keating os fez expressar – ri, porque o riso faz bem a saúde e a própria vida. Os fez perceber que todos nós somos capazes de dá grandes contribuições para a humanidade, pois cada um de nós é importante. Os alunos de Keating ao tomarem conhecimento da história e dos mistérios que envolviam a Sociedade dos poetas mortos, desejaram conhecer um pouco mais sobre o assunto. Aprenderam vivendo profundamente “a essência da vida” que palavras e idéia podem mudar o mundo. E é exatamente o que nós esquecemos muitas vezes. Que as nossas palavras têm poder e que podem mudar o mundo para melhor ou para pior.O filme é uma grande reflexão sobre a nossa prática pedagógica e sobre o tipo de escola que queremos e o mais importante, sobre que tipo de cidadão queremos ajudar a formar: um cidadão alienado ou um ser humano participativo, dinâmico que consegue não apenas se perceber no mundo para interagir criticamente com ele. Um ser humano que vê seus sonhos serem tolhidos ou alguém que nos agradecerá a vida toda pelas grandes contribuições dadas?
Premiações:
- Ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original, além de ter recebido outras 3 indicações, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator (Robin Williams).- Recebeu 4 indicações ao Globo de Ouro, nas seguintes categorias: Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor, Melhor Ator - Drama (Robin Williams) e Melhor Roteiro.- Ganhou o César de Melhor Filme
Estrangeiro.
Curiosidades: O diretor Peter Weir resolveu por rodar o filme em sua ordem cronológica para melhor capturar o desenvolvimento do relacionamento entre os jovens e o crescente respeito tido por eles junto ao Professor Keating.
Ficha TécnicaTítulo Original: Dead Poets SocietyGênero: DramaTempo de Duração: 129 minutosAno de Lançamento (EUA): 1989Estúdio: Touchstone Pictures Distribuição: Buena Vista PicturesDireção: Peter WeirRoteiro: Tom SchulmanProdução: Steven Haft, Paul Junger Witt e Tony ThomasMúsica: Maurice JarreDireção de Fotografia: John SealeDesenho de Produção: Wendy StitesDireção de Arte: Sandy VenezianoFigurino: Marilyn MatthewsEdição: William M. Anderson e Lee Smith

Um comentário:

jessica disse...

oi professora Carol!!! entra no meu blog!!!
bjo